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Maturidade Digital: Quando Estamos Prontos para Dominar a Tecnologia?

A psicologia define a maturidade como a capacidade de saber como agir de forma independente, de acordo com as circunstâncias e a cultura da sociedade em que se vive. E a maioria das pessoas acredita que a maturidade chega naturalmente com a idade. Mas, não é bem assim.

Os atributos de uma pessoa considerada madura são desenhados ao longo de determinados contextos. Ou seja, a maturidade possui definições diferentes nos contextos legal, social, religioso, político, sexual, emocional e intelectual, e cada um deles é desenvolvido em diferentes momentos da vida. Depende de experiências vividas por cada um. Portanto, a noção e a definição de maturidade e imaturidade são muito subjetivas.

“Para os jovens de hoje, o período cada vez mais prolongado de ‘brincadeiras’ e educação escolar no século XXI ocorre como resultado da crescente complexidade de nosso mundo e de suas tecnologias, que também exigem uma complexidade crescente de habilidades e um conjunto mais exaustivo de habilidades como pré-requisitos.

Muitos dos problemas comportamentais e emocionais associados à adolescência ou à infância podem surgir à medida que as crianças lidam com as crescentes demandas impostas a elas, demandas que se tornam cada vez mais complexas.”

Percebe-se, portanto, de uma forma bem geral, que a maturidade está ligada ao comportamento. Atitudes maduras são perceptíveis E isso abrange o comportamento em sociedade e a conduta que o ser humano possui diante da vida.

Uma pessoa é considerada madura quando não age impulsivamente, nem de forma descontrolada. É aquela pessoa que reflete muito antes de agir corretamente por conta própria, sem uma vigilância. A reflexão se dá não por indecisão, mas por uma profunda e rápida análise daquele momento. E essa presença consciente na ação precisa acontecer tanto no mundo real como no mundo digital.

No que se refere à tecnologia, existem aqueles que a amam, aqueles que a odeiam e aqueles que lutam para entendê-la. E tudo é absolutamente normal. Saber usar um dispositivo eletrônico não significa que se sabe dominar ferramentas específicas para diferentes fins. E é o que podemos observar com as nossas crianças.

As perguntas delas são mais interessantes e pegam os adultos de surpresa. No que se refere à tecnologia, “parece que já nasceram sabendo”, já que reconhecem imediatamente as funções de um controle remoto, abrem qualquer jogo e transitam pelo ambiente digital sem temor. E é aí que está o problema. E a não ser que a família viva em um lugar isolado, sem acesso à tecnologia e wi-fi, vai ser impossível evitar que as crianças participem desse mundo. O que não seria bom nem saudável para as crianças. Elas adoram o mundo digital, mas precisam ser orientadas por nós adultos.

As crianças podem saber muitas coisas. Mas, como saber que elas estão prontas para o entendimento do poder que têm em mãos através de um dispositivo eletrônico se muitos adultos não têm?

Os psicólogos estadunidenses Patrícia Greenfield e Zheng Yan, em estudo publicado na American Psychological Association, afirmaram que “… internet é uma nova ferramenta cultural, ou, melhor ainda, um novo kit de ferramentas culturais”,

Cultural porque é compartilhada. As normas são desenvolvidas e transmitidas para novas gerações de usuários, que passam a criar novas normas. E é um kit de ferramentas porque tem infinitas aplicações.

Pela internet, as crianças aprendem, mantém suas amizades e conectam-se com o mundo. Mas o uso sem controle pode levá-las a desligarem-se do mundo real e a perderem o interesse por outras atividades importantes para um desenvolvimento sadio. E sem falar da exposição a conteúdos que, ainda, não têm maturidade para compreender.

Portanto, os adultos precisam exercer sua autoridade para que a moderação seja a palavra de ordem nessa relação. Tempo passado online é tempo não passado gastando energia, tomando sol, relacionando-se com outras pessoas, falando, ouvindo, tateando, experimentando outras formas de se desenvolver. É preciso haver um equilíbrio entre o mundo online e o mundo offline.

E, para isso, nós adultos, pais e educadores, precisamos conhecer este mundo tecnológico para sermos agentes na relação com os filhos, ajudando nossas crianças a encontrarem o que há de melhor nos dois mundos: o digital e o físico;

Mas, para isso acontecer, os pais precisam ter paciência para configurar o acesso dos filhos aos dispositivos (computadores, tablets e celulares) para limitar esse mundo ao que é seguro e positivo, evitando o uso excessivo.

E os professores precisam ter conhecimento para saber como agir, pois cada vez mais novidades são trazidas para a sala de aula pelas crianças. Eu, por exemplo, procurei entender o fascínio da tecnologia sobre nossas crianças e como elas poderiam navegar de forma segura e positiva, sem medos.

Percebi que meus alunos estavam em um processo em que eu podia ajudá-los no entendimento e integração das tecnologias no dia a dia, ou seja, estavam prontos para conquistarem sua maturidade digital.

A maturidade digital é um passo mais avançado, que acontece após uma transformação digital. E essa transformação vem acontecendo em um crescente nos últimos anos, até a que a pandemia revolucionou a vida de todos os terráqueos.

Trabalho remoto e ensino a distância passaram a fazer parte da vida de milhões de brasileiros da noite para o dia. As pessoas tiveram que aprender a mexer em ferramentas no exato momento em que a usavam. Quando o susto passou, veio o estresse e muitas reflexões.

As crianças tiveram que aprender a usar ferramentas educacionais muito rapidamente para estudarem em casa, já que veio o confinamento. No entanto, elas não aprenderam todas sozinhas. Muitos pais tiveram que ser tutores do processo de aprendizagem dos seus filhos. Inclusive no uso de ferramentas educacionais.

O importante a saber é que o processo de maturidade chega no meio de um processo de transformação. E essa é uma regra nos dois mundos: físico e digital. A transformação digital é um fenômeno que incorpora o uso da tecnologia digital às soluções de problemas cotidianos.

Só que no século 21, há uma grande questão: todos nós temos que aprender sempre. Nessa área tecnológica, tudo muda o tempo todo e muito rápido. A transformação é um processo contínuo e veloz. E nós temos que estar preparados para isso. Outros movimentos poderão acontecer de uma hora para outra.

 

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