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E, de repente, a Escola se Mudou para Sua Casa

De repente, a casa ficou um caos. O trabalho dos pais e a escola dos filhos se mudaram para dentro de casa. Às pressas, foi preciso criar uma nova rotina, estabelecer horários e, ao mesmo tempo, manter a casa limpa. Porque tudo isso aconteceu, não como solução, mas como a única saída para a segurança da saúde de toda a população.

O Coronavírus tem causado medo nas pessoas. Informações lutam entre si para convencer a população de duas verdades antagônicas: o distanciamento social dentro de um processo de quarentena, já que o vírus pode causar a morte; ou todos voltarem para suas rotinas normais e conviver com o vírus, confiando em sua resistência imunológica e evitar uma crise econômica mais profunda.

A verdade é que o Coronavírus já impactou nossas vidas de diferentes maneiras e uma delas foi trazer a tecnologia para dentro das casas de uma forma nova. O trabalho remoto (ou teletrabalho) foi a única saída para muitos. E as crianças, pela primeira vez, tiveram que estudar os conteúdos da escola, através de videoaulas a distância.

No Brasil, o ensino a distância curricular para o ensino fundamental não é permitido pelo MEC. O que há é um caráter emergencial para que o calendário letivo não seja alterado e as crianças e jovens não percam o acesso aos estudos.

Há pais que lutam pelo direito do home schooling, aquele que é lecionado, no domicílio do aluno, por um familiar ou por pessoa que com ele habite. E, com a Internet, pode-se valer de videoaulas com diferentes professores ao redor do mundo. Mas, isso é outra discussão.

No momento, pais e mães andam estressados, se sentindo obrigados a assumir a função de pedagogos no auxílio das tarefas dos filhos.

Contudo, há mais questões envolvidas nesse ensino a distância emergencial. As crianças e adolescentes são considerados nativos digitais, ou seja, aqueles que nasceram e cresceram com as tecnologias digitais presentes em sua vida. Mas, isso não quer dizer que dominem o uso de ferramentas digitais. Pelo contrário, eles precisam aprender que existem caminhos e regras no mundo digital, bem diferentes e mais complexas que seus videogames e redes sociais.

As crianças estão precisando se adaptar a plataformas educacionais e sua ferramentas, além de manter uma disciplina de estudos maior do que se estivessem na escola. Umas se adaptam mais rápido e outras não se adaptam. A modalidade do ensino a distância surgiu para ser democrático: levar o conhecimento a qualquer pessoa que queira aprender, desde que tenha um computador e uma conexão com a Internet.

Há famílias em que há um computador para cada membro e há aquelas em que todos compartilham apenas um aparelho. Assim, pode não haver o local mais adequado para estudar, pois terá que dividir o espaço com seus pais que estão realizando trabalho remoto. Tudo isso em meio a uma quarentena e um turbilhão de sentimentos.

Seja uma ou outra realidade, há um fator que não pode ser esquecido: segurança digital. Todos devem estar atentos para não cair em armadilhas. Assim como existem vírus pelo no mundo físico, há vírus cibernéticos prontos para atacarem ao menor deslize do usuário. As consequências são péssimas até ter o problema solucionado. Imagina durante uma quarentena!

Da mesma forma com que pais cuidam e protegem a vida de seus filhos, devem cuidar de suas vidas digitais. “Como pais e educadores, nós temos uma grande responsabilidade com o futuro, porque formamos os adultos de amanhã.

Precisamos passar valores importantes para as nossas crianças, como respeito, ética e cuidado, para com elas mesmas e para com as outras pessoas. Precisamos prepará-las para que tomem decisões inteligentes e resolvam problemas complexos, tanto no mundo online como no offline” (do livro Ted e Lara em Uma Viagem pela Cidadania Digital).

Para a maioria dos pais, a Internet sempre foi vista como uma ameaça. Paralelamente, as crianças e adolescentes começam a perceber que o mundo virtual não é só diversão, mas também um local para muitos aprendizados.

A solução para acabar com esse medo é os pais conhecerem o funcionamento desse mundo virtual e ensinar a seus filhos. Existem regras e cuidados a serem tomados para que se possa ter uma vida digital segura, positiva, saudável e com equilíbrio. A conexão faz parte da natureza humana, seja no mundo real, seja no digital. Da mesma forma que seguimos regras de conduta no mundo real, devemos segui-las no mundo digital.

Se pais ensinam seus filhos a não falarem com estranhos no mundo real, por que falariam no mundo digital? Até porque são as mesmas pessoas que transitam pelos dois mundos. As crianças e adolescentes precisam saber que o mal existe, assim como existe o bem. Em todas as suas nuances.

Se a plataforma educacional que a criança usa precisa que ela tenha uma conta de e-mail, ela precisará aprender a usar essa conta com segurança, acessando apenas o conteúdo da escola. Ao menor sinal de algum elemento estranho, deve avisar a seus pais.

Muitas armadilhas são enviadas através de e-mails. Adultos podem ter suas contas bancárias violadas se caírem nessas armadilhas. E as crianças? Elas são usadas para conseguirem informações privadas de seus pais.

Só que é possível viver em um mundo digital positivo, saudável, com respeito e equilíbrio, mas para isso, crianças, adolescentes e adultos precisam se apropriar de suas vidas digitais e saberem fazer escolhas inteligentes, agindo com sabedoria. E é por isso que todos devem aprender os caminhos seguros para se tornarem cidadãos digitais.

E é esse projeto de Cidadania Digital que eu, Adriana Bandeira, abracei há alguns anos com meus alunos. Sou professora e percebi a urgência com que devíamos cuidar de nossas crianças e jovens para que pudessem aprender a agir com sabedoria nesses dois mundos que estão cada vez mais intercambiáveis.

Para que as crianças aproveitem a Internet ao máximo, com tudo o que ela tem de melhor, para que elas possam explorar o mundo online com confiança, elas precisam estar prontas para tomar decisões inteligentes e seguras.

Sempre há um lado bom para tudo, mesmo no caos. E caos, em diversas tradições mitológicas, era considerado um vazio ilimitado e indefinido, que propiciava o nascimento de novas realidades. Que realidade você quer viver no futuro pós-Coronavírus?

O distanciamento social lembrou a todos a importância do cuidar: cuidar da gente, cuidar dos outros, cuidar da nossa casa, da comida, da roupa, gerenciando o tempo para os afazeres domésticos e do trabalho, agora, remoto. O tempo está em suas mãos nesse momento. Ajude seus filhos a se apropriarem de suas vidas digitais. E se tudo isso fez sentido para você, deixe seu comentário e compartilhe.

Pensando nas crianças (e para ajudar os pais), eu escrevi um livro a partir da experiência de sala de aula: Ted e Lara em Uma Viagem pela Cidadania Digital. Através de ensinamentos e desafios, as crianças aprendem tanto sobre segurança digital, como equilíbrio e bem-estar digital.

O livro foi lançado pela Editora Clube dos Autores. E você pode adquiri-lo através do link: (https://clubedeautores.com.br/livro/ted-e-lara-em-uma-viagem-pela-cidadania-digital) Indique a todos os pais que você conheça.

 

Adriana Bandeira

Professora e Produtora Digital

Selo do curso de Segurança Digital pela Google for Education

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