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Se Deseja Escrever, Assuma a Qualidade e a Clareza de Seu Texto

Mesmo em tempos de 140 toques, escrever ainda é a expressão da própria existência humana através da palavra. Mas, para que cumpra seu papel, a escrita precisa ser cuidada por todos aqueles que se atrevem a colocá-la em ação. Ela é uma necessidade humana.

Surgida para controlar o ambiente ao redor, a escrita possibilitou uma maior consciência sobre os fatos, já que permite a organização do pensamento.

No passado, quando o tudo era transmitido para a geração seguinte pela oralidade, os conhecimentos e pensamentos que não eram compartilhados se perdiam com o tempo. Felizmente, perceberam que a escrita garantia o registro dos pensamentos e das ações humanas. Isso, porque nos primeiros séculos, muitos não viram a importância do texto escrito. A escrita evoluiu e ganhou status nas relações sociais e na disseminação de informações.

E, hoje, não importa a área de atuação, nem toda a tecnologia à nossa disposição. Escrever é absolutamente necessário. Escrever pode alavancar qualquer pessoa em sua carreira, principalmente em meio a tantos erros na comunicação, a tantos textos difíceis de entender.

O psicólogo e linguista canadense, professor em Harvard, Steven Pinker abordou esses problemas na comunicação escrita em seu livro Guia de Estilo. Segundo Pinker, toda pessoa que escreve deve ter em mente duas preocupações: escrever exatamente o que pretende e transmitir essas ideias da maneira mais clara possível, sem confundir o leitor.

Pinker acreditava que a causa de tanta escrita ruim é o que ele chamou de “a maldição do conhecimento”, ou seja, é “uma dificuldade de imaginar como é para alguém que não sabe algo que você sabe”. É uma boa explicação para aquelas pessoas que dominam um certo saber, mas não conseguem ser claras quando escrevem.

Segundo Pinker, “qualquer área do conhecimento humano desenvolve gírias para evitar que seus entusiastas tenham que dizer ou digitar uma descrição longa toda vez que se referem a um conceito familiar para os colegas. O problema é que, conforme nos tornamos proficientes em nosso trabalho ou hobby, passamos a usar essas palavras com tanta frequência que elas fluem de nossos dedos automaticamente e esquecemos que nossos leitores podem não ser membros do mesmo clube.” E o mundo acadêmico e dos negócios também não fogem desse padrão. Sua escrita é como um dialeto que as pessoas usam para comunicar suas ideias, seja por e-mail ou por aplicativos de conversa, seja em propostas de negócios ou apresentações.

Uma solução para esse problema? Fácil. Explique-se. O próprio Pinker escreve sobre isso: “adicionar algumas palavras explicativas aos termos técnicos comuns, pode multiplicar o número de leitores”.

Assim, recorra a termos como por exemplo, como, assim como ou tal como. Um exemplo enriquece e dá mais clareza a uma explicação.

Quem escreve deve pensar, sempre, no seu leitor. Ele deve ser o principal objetivo do escritor. Deve imaginar as suas reações. E saber que se uma frase não estiver clara o suficiente para o autor/escritor, não estará clara para nenhum outro leitor. O escritor deve assumir a qualidade e a clareza de seu texto.

Um texto deve ser acessível ao maior número de pessoas possível. É como o físico vencedor do prêmio Nobel Richard Feynman escreveu: “Se você se escutar dizendo: ‘acho que entendi isso’, significa que não entendeu.”

Escrever é construir um saber. É escolher e organizar bem as palavras para que as mentes do autor e do leitor se tornem uma só.

 

 

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