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Imaginar, Organizar, Escrever

Tudo já foi pensado para nós quando chegamos ao mundo. Através da língua, aprendemos os nomes e o valor das coisas que nos cercam, assim como a maneira de nos comportarmos para levar a vida neste mundo, que é dimensionado pela cultura em que somos criados.

Nós, ocidentais urbanos do século XXI, temos acesso a todo tipo de informação sobre a vida e os valores de outros povos e passamos a julgá-los, assim como julgamos a nós mesmos. Isto porque fomos ensinados a achar o pôr do sol bonito, a ter medo de tempestade, a sentir ternura por uns animais e nojo por outros, nos ensinaram a ler e a escrever, enfim, um conjunto de regras pelos quais a palavra adquire seu significado.

Só sai de nossa cabeça, o que entrou. Você escreve o que você leu. Os textos que nos fizeram ler na escola e em casa, tudo o que aprendemos através da observação e das experiências vividas fizeram de nós o que somos e o que pensamos. Um bom exemplo disso são as crianças de Porto Alegre do ensino fundamental. Embora falem tu, escrevem você em todos os seus textos, porque “você” está escrito nos livros didáticos de circulação nacional. Para ela, tu é língua falada e você é língua escrita.

Aprendemos a pensar e a escrever como se aprende qualquer outra atividade, adquirindo familiaridade através de um treinamento.

Aprendemos a falar nossa língua, observando, repetindo, criando, sendo corrigidos, insistimos e assim por diante.

Para escrever o que pensamos, é preciso escrever o que já lemos, assim como para chegar a ser o que somos, foi preciso ser o que fizeram de nós.

Como falar ou escrever sobre algo que nunca vimos, que nunca lemos?

Como se posicionar diante de algo que nunca paramos para pensar ou pesquisar a respeito?

Como escrever um texto dissertativo em uma prova de concurso se não houve um enriquecimento cultural?

Nossa consciência individual se constrói dentro da sociedade em que vivemos, assim como nosso texto é construído dentro do universo de textos que lemos.

O jornalista José Hamilton Ribeiro escreveu dezenas de livros a partir das reportagens que fez. Ele brinca ao dizer ter criado uma fórmula para o grande texto argumentativo, que, segundo ele, se aplica tanto aos textos de reportagens, como as narrativas:

    GT = (BC + BF) x (T x T’)n.

Ou seja, um grande texto (GT) é um bom começo (BC) mais um bom final (BF), multiplicado por talento (T) vezes trabalho (T’) elevados à potência necessária.

O bom começo desperta o interesse no leitor de chegar até o fim do texto. O bom final traz a satisfação necessária de ter lido.

Para explicar “potência necessária”, ele recorre à história sobre o carro da rainha Elizabeth, do Reino Unido: “Dizem que a Rolls-Royce construiu um carro para que ela pudesse percorrer suas terras sem correr o risco de atolar ou parar por falta de força no motor. Quando lhe perguntaram qual era a potência daquele carro para não falhar diante dos obstáculos, a rainha respondeu: a necessária.”

Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele. Um texto dissertativo pertence ao grupo dos textos expositivos, como o texto de apresentação científica, o relatório, o texto didático, o artigo enciclopédico. Já um texto dissertativo-argumentativo, além de desenvolver uma ideia, tem por finalidade persuadir o leitor, ou seja, convencê-lo sobre o ponto de vista do autor a respeito do assunto.

Para escrever um texto dissertativo-argumentativo, é importante conhecer suas unidades básicas: o parágrafo. Cada parágrafo é uma unidade de texto organizada em torno de uma ideia-núcleo, que é desenvolvida por ideias secundárias, finalizadas por uma conclusão.

Um texto dissertativo eficaz possui unidade temática, objetividade, questionamento e posicionamento.

 

Tenha em mente

  • É preciso ler constantemente: a quantidade vai levar à qualidade, pois seu texto é fruto de sua bagagem cultural.
  • Usar o raciocínio lógico para fundamentar sua argumentação.
  • Pensar no tipo de texto que está produzindo para não confundir gêneros na hora de escrever: um artigo não é um discurso de palanque.
  • Pesquisar em fontes confiáveis o assunto sobre o qual vai escrever.
  • Que um bom texto deve dialogar com outras áreas do conhecimento e diversificar suas fontes representará uma surpresa para o leitor.
  • Quem será o leitor do seu texto.
  • Buscar a empatia do leitor, tendo o cuidado para não soar arrogante ou prepotente.
  • Ser claro naquilo que você quer comunicar.
  • Que, acima de tudo, posicionar-se é assumir uma postura frente ao seu leitor.

 

 

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