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Escrita Expressiva: uma Aliada no Combate ao Estresse e à Ansiedade

Vivemos em uma época de crises. Crise política, econômica, de valores… E ainda somos bombardeados diariamente com notícias desagradáveis.

O estresse é a forma como o corpo humano reage aos estímulos externos perturbadores e ao aumento excessivo de descarga de adrenalina em nosso organismo. A adrenalina é um hormônio que prepara o corpo para grandes esforços, atuando sobre o sistema cardiovascular para manter o corpo em alerta para situações de fortes emoções ou estresse como luta, fuga, excitação ou medo.

A adrenalina no organismo aumenta os batimentos cardíacos, acelera o fluxo de sangue para os músculos, faz o cérebro entrar em estado de alerta, aumenta a pressão arterial e o suor, aumenta a frequência da respiração, abre os brônquios pulmonares e transforma glicogênio e gordura em açúcares. Essas alterações constantes não são boas para o nosso organismo.

Situações de desconforto, irritação, desgaste, frustração, medo e preocupação provocam a liberação de adrenalina no sistema nervoso. Os chamados hormônios do estresse que entram em ação para combater esse mal-estar, quando em grandes quantidades, causam alterações na saúde, humor, produtividade e qualidade de vida.

Tudo isso vem comprometendo a nossa saúde física, mental e emocional. E, cada vez mais, precisamos de momentos de relaxamento e de paz interior para organizarmos nossa mente e nossas emoções.

E como a escrita pode ajudar nesse processo?

Pesquisas mostram que escrever pode resultar em menos visitas ao médico, menos sintomas de saúde frágil e menos tempo fora do trabalho por motivo de doença, reduzindo o estresse e a ansiedade.

De acordo com os estudos, publicados no periódico British Journal of Health Psychology em 2018, escrever melhora a saúde mental e, consequentemente, a saúde emocional e física.

Escrever sobre as emoções ajuda as pessoas a lidarem com seus pensamentos e sentimentos negativos. Ao “abrir o peito” para uma folha em branco, a pessoa tem a sensação do sentimento ruim diluir-se, de ficar menos opressivo, e, ainda, sente que ajuda a ver os problemas com um certo distanciamento. Muitos pacientes que participaram do estudo, começam a se sentir menos vítimas e mais aprendizes das situações vividas.

Isso aconteceu, porque os pacientes eram orientados a ver o lado positivo das situações, por mais difíceis que elas fossem. Durante a experiência, foi observado que escrever de forma positiva reduziu o estresse, a ansiedade e outros sintomas como dores de cabeça, dor nas costas e gripes.

O estudo queria descobrir se a prática da escrita seria útil para todas as pessoas, independentemente do nível de incômodo pelo qual estivessem passando.

Os participantes tinham idades entre 19 e 77 anos e foram separados em dois grupos. Os grupos tinham que escrever diariamente por 20 minutos sobre suas dores, seus problemas, suas angústias. Mas, um dos grupos deveria, por três dias seguidos na semana, escrever as suas melhores experiências de vida e, também, ver o lado bom dos problemas. O outro grupo poderia escrever sobre qualquer assunto, de forma aleatória, como seus planos para o fim de semana, por exemplo.

Os participantes que escreveram sob uma visão positiva apresentaram uma diminuição em seus níveis de ansiedade e estresse em comparação ao início do estudo. Escrever sobre momentos felizes, também, foi eficaz independentemente dos níveis de incômodos que as pessoas afirmaram ter no início de nossa experiência.

Uma vantagem em escrever que foi constatada pelo estudo foi a capacidade em lidar tanto com a raiz dos problemas, quanto com o estresse e a ansiedade.

Nos Estados, Unidos, pesquisas em diferentes universidades têm comprovado que a escrita ajuda a lidar com o estresse e com traumas.

Cientistas da Universidade de Chicago estudaram estudantes ansiosos em relação às provas. Um grupo foi orientado a escrever antes das provas sobre seus pensamentos e emoções. Esses estudantes atingiram melhores notas que o outro grupo que não praticava a escrita antes das provas.

Em Stanford, pesquisadores se concentraram em estudantes afro-americanos que estavam tentando se adaptar à faculdade. Também foram divididos em dois grupos. Alunos de um dos grupos foram convidados a criar um ensaio ou um vídeo falando sobre a vida universitária para ser visto pelos futuros alunos. Os alunos que participaram da escrita ou do vídeo receberam melhores notas nos meses seguintes do que aqueles de outro grupo que não receberam essas orientações.

Outro estudo trabalhou com casais em conflito. Alguns casais tinham que escrever sobre o conflito como se fossem observadores neutros, sem tomar partido. Entre 120 casais, aqueles que exploraram seus problemas através da escrita mostraram melhora na felicidade conjugal em relação àqueles que não escreveram sobre seus problemas.

Na Universidade de Duke, na Carolina do Norte, os pesquisadores reuniram 40 voluntários em fase acadêmica, que estavam preocupados com as notas e, ainda por cima, questionavam seus níveis intelectuais em relação a outros alunos.

Os alunos foram divididos em grupos. Os alunos do grupo de intervenção receberam informações que mostravam que é comum alunos se dedicarem mais no primeiro ano. Eles assistiram a vídeos de estudantes que falavam sobre como suas próprias notas e como se adaptaram à faculdade. Depois, esses alunos tinham que escrever sobre suas próprias histórias na faculdade. Eles foram encorajados a pensar que eles só precisavam de mais tempo para se ajustarem. E mais: tinham que reescrever suas histórias, projetando emoções positivas.

Num curto prazo, os alunos que reescreveram suas histórias receberam melhores notas em um teste de amostra. Mas os resultados a longo prazo foram os mais impressionantes. Esses alunos tornaram-se menos propensos a abandonar o curso em relação aos alunos que não receberam informações.

O segundo grupo, chamado de grupo de controle, não recebeu nenhum conselho sobre notas. 20% dos estudantes abandonaram o curso no ano seguinte. No grupo de intervenção, apenas 1 estudante desistiu.

“Essas intervenções de escrita podem fazer com que as pessoas, que pensam de uma maneira negativa, mudem para um ciclo de pensamentos mais otimistas e, realmente, mudarem de vida”, disse Timothy D. Wilson, professor de psicologia da Universidade de Virgínia e principal autor do estudo de Duke.

Timothy Wilson escreveu o livro “RedirecionarMudando as histórias em que vivemos”, e acredita que, enquanto escrevemos, não resolveremos todos os problemas, mas, poderemos nos ajudar a lidar melhor com eles. “Escrever nos força a reconstruir e a ressignificar o que quer que esteja nos perturbando”, disse ele.

Na Universidade do Texas, o Prof. James Pennebaker vem conduzindo a investigação sobre o poder da escrita há décadas. Há muitas experiências, mas numa delas, 46 estudantes universitários foram monitorados durante 6 meses. Também foram divididos em dois grupos, que deveriam escrever diariamente durante 15 minutos. Um grupo foi orientado a escrever sobre problemas, situações desgastantes ou emocionalmente difíceis. O outro grupo deveria escrever sobre assuntos triviais, aleatórios.

Durante os seis meses da pesquisa, os estudantes do primeiro grupo tomaram menos analgésicos e, também, frequentaram menos o centro médico do campus que os do segundo grupo.

O estudo atestou que os participantes passaram a enxergar seus problemas e traumas sob novas perspectivas, aliviando o peso que os sentimentos negativos causavam.

O Prof. James Pennebaker passou a chamar esse processo da escrita de Escrita Expressiva. Seu conceito baseia-se na ideia de que todos nós temos uma narrativa pessoal que molda nossa visão do mundo e de nós mesmos. Mas, às vezes, a nossa voz interior não está completamente correta.

Ao escrever nossas próprias histórias, podemos mudar nossa percepção de nós mesmos e identificar obstáculos que impedem uma realização plena. ”Eu penso na escrita expressiva como uma correção do curso de vida” – disse Pennebaker.

Ao contrário de várias outras estratégias de melhoria do bem-estar mental, a escrita não precisa de treino ou terapia. As pessoas podem fazer isso quando e onde for melhor para elas — e, ainda, é gratuito.

E aí, disposição para escrever e reescrever sua própria história?

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