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Uso das Novas Tecnologias na Escola ainda Divide Educadores e Professores

Aqui no Brasil, professores não conseguem responder a uma grande questão: a escola deve preparar os alunos para o mercado de trabalho ou isso é função da Universidade?

E essa questão esbarra em outras ainda mais complexas: como preparar os alunos para trabalhos que ainda vão surgir? Como as novas tecnologias podem ajudar, se é que podem?

Sendo assim, a lista de estratégias de ensino e de habilidades a serem desenvolvidas não para de crescer. E uma dessas habilidades passa pelo uso eficaz das novas tecnologias.

Pensando nisso, o Google for Education patrocinou uma pesquisa feita em 16 países para saber qual é o papel das novas tecnologias segundo professores e educadores, publicada na Economist Intelligence Unit.

A pesquisa mostrou claramente que professores e educadores discordam sobre as mudanças que devem ocorrer na escola. Há uma divisão clara entre aqueles que acreditam na tecnologia como ferramenta para estimular a busca pelo conhecimento e aqueles que veem a tecnologia como rival e, portanto, deve ficar longe da escola.

Entre aqueles do primeiro grupo, existe a certeza que o papel da tecnologia é ajudar o aluno a se envolver na aprendizagem numa forma mais comunicativa, interativa e colaborativa. Mas, também existe a certeza que o professor precisa ser preparado para ajudar às crianças e jovens a desenvolverem habilidades necessárias tanto para a força de trabalho, quanto para se tornarem indivíduos competentes no uso do saber que foi construído na escola na vida.

Esse grupo de professores deseja uma maior autonomia em seu trabalho em sala de aula e sabe que restrições orçamentárias são um obstáculo para a adoção de novas estratégias e das tecnologias de ensino.

Entre os educadores, apenas 18% acreditam que os professores podem preparar seus alunos para o mercado de trabalho com eficiência. Já 32% disseram que preparar para o mercado de trabalho é importante, mas não souberam dizer como, já que as mudanças têm ocorrido com muita rapidez.

Para 51% dos educadores, a melhor maneira de ajudar os alunos a adquirir as habilidades que precisarão no local de trabalho é a “aprendizagem ativa” pela resolução de problemas, na qual os alunos estão envolvidos em atividades como leitura, escrita e discussão para encontrar possíveis soluções para problemas globais. Já 45% apostam na aprendizagem baseada em projetos e “ativação cognitiva”, em que os alunos são encorajados a se concentrar em como eles alcançaram uma resposta, e não somente na solução.

A aprendizagem personalizada é uma estratégia favorecida por 40% dos educadores que a chamam de “estratégia muito importante”. Mas, apenas 28% dos professores a classificam como “mais eficaz.”

A pesquisa procurou identificar que meio digital os professores julgam mais eficiente. Para 35%, são os laptops; para 32% são os jogos. Os celulares ficam no final da lista, usados por apenas 13%. É importante ressaltar que eficiência, aqui, se confunde com segurança. O meio usado é aquele que o professor se sente mais à vontade em usar. O medo de não dominar uma tecnologia e de saber menos que o seu aluno são os grandes inimigos do professor.

Os pesquisadores queriam saber dos educadores como eles preparavam os professores em suas escolas no ensino de certas habilidades que são consideradas necessárias na força de trabalho.

Nas escolas onde os professores recebem maior autonomia, os entrevistados expressaram maior confiança para ensinar as habilidades, em comparação com as de escolas com níveis mais baixos de autonomia. Em países com sistemas educacionais de alto desempenho como Finlândia e Cingapura, a profissão do professor é altamente valorizada. Os bons alunos são encorajados a se tornar professores também.

E um dado muito interessante da pesquisa era saber como os professores procuram se aperfeiçoar. 32% buscam suprir suas necessidades, procurando um aprendizado mais personalizado. Aprendizados em grupo, seja através de um programa ou de uma mentoria são procurados por um grande número. Apenas 21% buscam aperfeiçoamento em cursos online. E essa baixa procura acredita-se ser por causa de um certo preconceito. Cursos online ainda não são tão valorizados quanto os cursos presenciais.

Todos esses dados mostram que, apesar da pressa das mudanças à nossa volta, a escola ainda se mantém à margem da riqueza tecnológica que temos a nosso serviço. E não é uma questão de usar ou não equipamentos digitais – a principal questão é mudar uma mentalidade presa ao passado. Precisamos rever nossas ideias sobre o papel da escola, porque o amanhã nos espera.

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