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Um Pequeno Aparelho, mas Um Grande Salto Tecnológico para a Humanidade

O progresso tecnológico é tão natural para nós que não percebemos o quanto evoluímos para chegar ao ponto que chegamos. Linhas de energia, eletricidade, água, gás, smartphones e todo um mundo touch fazem parte do nosso dia a dia.

Nós não percebemos, mas foram séculos de experiências, tentativas, erros, acertos e inovações até chegarmos aqui. Mas, um fenômeno vem ocorrendo nos países em desenvolvimento. Milhões de pessoas estão pulando etapas da evolução tecnológica, saltando diretamente para as soluções mais modernas que já temos.

Na escada do desenvolvimento, a energia é o primeiro degrau. É o recurso mais básico e essencial para o desenvolvimento, inclusive para outras tecnologias. Segundo o relatório do Banco Mundial sobre o acesso à eletricidade, qualquer desenvolvimento humano sustentável depende, em grande parte, do acesso consistente e confiável à energia. Melhorias na qualidade da saúde, educação, segurança alimentar e emprego são provenientes do desenvolvimento energético. Esse entendimento tem feito países em desenvolvimento criarem múltiplas fontes de energia, construindo hidrelétricas, painéis solares e antenas de captação de vento. Tudo economicamente viável. E barato, pois não são grandes companhias criando as redes, mas startups.

Em países africanos, startups, como a Off Grid Eletric, instalaram painéis solares em casas particulares. Os clientes pagam um adiantamento, seguido por parcelas mensais, até adquirirem seus kits solares domésticos, que incluem um painel, uma bateria, um carregador de telefone, um rádio e luzes LED. Os pagamentos podem ser feitos com a compra de raspadinhas em quiosques ou via celular.

O crescente suprimento de energia do continente africano não se limita apenas à energia solar. A Etiópia está construindo uma hidrelétrica que poderá gerar 6.000 megawatts de eletricidade, ajudando o país a ultrapassar o carvão como uma importante fonte de energia.

A Agência Internacional de Energia acredita que áreas rurais em todo o globo poderão ser atendidas com essas startups já chamadas de “minirredes”.

O segundo degrau do desenvolvimento é a conectividade. Além de ser valiosa por si só, a conectividade permite uma enorme variedade de recursos adicionais. O progresso depende diretamente ou se beneficia imensamente da proliferação de telefones celulares. Hoje, milhões de pessoas que nunca tiveram telefones residenciais saltaram diretamente para o uso de telefones celulares.

Segundo The Economist, um aumento de 10% na propriedade de telefones celulares entre cidadãos de países em desenvolvimento aumenta o crescimento do PIB em cerca de 1% ao ano. O maior impulsionador desse crescimento é o “dinheiro móvel”. Pessoas que nunca tiveram uma conta bancária ou uma maneira segura de economizar, transferir e investir dinheiro agora têm tudo isso na palma de suas mãos. O uso de dinheiro móvel ajudou, por exemplo, 194 mil quenianos a escapar da extrema pobreza ao longo de oito anos.

E o que nós professores temos a ver com isso? Tudo! Dinheiro móvel, smartphones e internet não serão muito úteis sem habilidades básicas de leitura, redação e matemática, sem o pensamento crítico e as habilidades de solução de problemas que são fundamentais para a inovação. É preciso preparar os jovens para um novo mundo e novos mercados.

A falta de professores qualificados torna a educação de alta qualidade uma tarefa monumental. O ensino a distância vem diminuindo os abismos sociais. Um professor virtual pode ter milhões de usuários registrados, oferecer aos alunos acesso digital a questionários e ferramentas educacionais, e acompanhar seu progresso. Os dados coletados são analisados e usados para ajustar os programas e facilitar ainda mais o aprendizado. Startups têm oferecido currículos e ferramentas de aprendizado digitais personalizáveis para professores e alunos.

E como alimentar toda essa gente? Melhorias na qualidade da vida aumentam o número de nascimentos. Em alguns países em desenvolvimento, a produção agrícola precisará ser aumentada em 60% nos próximos 15 anos. Alguns dos maiores desafios que os agricultores enfrentam estão sendo resolvidos através de tecnologias surpreendentemente simples. Plataformas móveis têm conectado pequenos agricultores a compradores e bancos, facilitando os pagamentos de forma simples e segura. As plataformas ajudam os agricultores a alinhar sua oferta à demanda do mercado, trazendo os benefícios duplos de aumentar a renda dos agricultores e ao mesmo tempo reduzir os preços ao consumidor. Além disso, trocam informações e buscam soluções rápidas para problemas comuns. E tudo isso é feito por meio de mensagens de texto.

No que se refere à saúde, há muito a fazer. A saúde no mundo ocidental ainda é, em grande parte reativa e não proativa, já que esperamos que alguém esteja doente para cuidar da saúde. E, em vez de cuidados personalizados orientados por dados, adotamos uma abordagem de um único medicamento adequado para todos. No Brasil, a automedicação é uma grande preocupação entre os médicos.

E, como em quase todos os outros setores mencionados, a grande estrela dessa área é o celular. Um exemplo é o SMS for Life. Ele atua em todo o continente africano, criando cadeias de fornecimento de remédios contra malária e outros medicamentos, reduzindo substancialmente as interrupções no estoque de tratamento. A MomConnect e a NurseConnect, administradas pelo governo da África do Sul, fornecem uma plataforma digital para que gestantes, mães e enfermeiras recebam conselhos e informações sobre saúde, bem-estar e registros de gravidezes no sistema de saúde pública do país. A Fundação Novartis, em Gana, e a Baby Health, em Ruanda, conectam pacientes, agentes comunitários e especialistas pelo celular.

No Brasil, chegaram 12 plataformas digitais que conectam médicos, agentes comunitários e pacientes. Já são mais de 4 milhões de usuários só nos Estados Unidos.

A tecnologia está ajudando a trazer informações, serviços e recursos em um ritmo mais rápido do que se pensava ser possível. Mas, à medida que a população cresce, aumenta a necessidade de serviços. Os desafios mais fundamentais permanecem, ainda, além do alcance da tecnologia. O acesso à água, ao saneamento e aos alimentos, e à infraestrutura como estradas e pontes, e à liberdade de conflitos violentos devem estar presentes antes que o progresso possa decolar nos setores aqui mencionados.

No Brasil, precisamos de um empenho nacional para darmos o nosso salto. As empresas devem desenhar e executar estratégias e a política pública precisa amparar o desenvolvimento social, econômico, cultural e tecnológico.

Políticas, liderança e instituições terão um papel maior do que a tecnologia no desenvolvimento das nações. Mas se os telefones celulares, a energia renovável e a inovação que cresce a partir do acesso à informação podem capacitar milhões de pessoas ao longo do caminho, melhor para todos nós.

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