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Lugar de Tecnologia é na Escola

A presença das tecnologias digitais nas escolas já é uma realidade. Alunos, professores e gestores carregam seus smartphones, tablets ou notebooks. Mas, a inserção dessas tecnologias no dia a dia das práticas educacionais é outra história, pois requer o envolvimento em atividades que exigem habilidades e metodologias que estão além das exigidas para o ensino tradicional.

Uma pesquisa na Internet sobre “quem mais resiste à presença da tecnologia digital na escola”, quis saber qual público mais rejeitaria usar essas ferramentas tecnológicas. A maioria dos participantes concordou que quem mais torce o nariz para as tecnologias são os professores. 55% acreditam que incluí-las na rotina das salas de aula representará trabalho extra. Além disso, muitos confessaram não saberem utilizá-las.

As novas tecnologias ainda são vistas como entretenimento por 15% dos entrevistados.

Profissionais da área de tecnologia educacional especializada em design instrucional e em produção multimídia acreditam que, no início, pode haver mais trabalho para o professor, pois é preciso dominar a tecnologia, saber usá-la, mas com o tempo, quando a nova metodologia estiver estabelecida e houver familiaridade com os recursos digitais, os professores não precisarão preparar materiais imensos para cada aula. Os alunos também trarão pesquisas, conteúdos, e, assim, as dinâmicas serão mais colaborativas.

Porém, sem capacitação e apoio, como os professores poderão fazer um planejamento de aula que inclua os novos recursos? Sem contar que ainda muitos se sentem desconfortáveis ao tentar lidar com uma ferramenta que não dominam. Os alunos não têm medo de acessar, manusear, mesmo quando recebem um recurso pela primeira vez. Eles exploram, manuseiam, descobrem recursos com entusiasmo, contudo, não têm foco. Professor tem medo de errar perante o aluno.

Enquanto isso, os gestores, responsáveis pela coordenação e execução do planejamento nas escolas, ainda não contemplam as tecnologias da informação e da comunicação no momento em que pensam o ano escolar. Eles também precisam aprimorar-se para colocar as tecnologias digitais no planejamento anual. No fundo, querem resultados – positivos, de preferência, quanto ao uso das tecnologias.

Nem mesmo a família é unânime em relação à aplicação das tecnologias digitais nas atividades pedagógicas. Esse público é resistente porque ainda vê a tecnologia apenas como entretenimento e desconhece seu potencial na aprendizagem.

E ainda existe um grupo de alunos que não se sente confortável em usar tecnologias digitais, como os estudantes do EJA [Ensino de Jovens e Adultos], com mais de 40 anos, que não fazem questão alguma de trabalhar com o computador. Os desafios deles ainda estão presos ao lápis e ao papel.

Estudantes que usam os recursos tecnológicos para tornarem sua aprendizagem mais enriquecedora estão criando conteúdos para serem apresentados em formatos digitais nas aulas e estão mais  envolvidos na escola e fora dela com os conteúdos curriculares. Tudo isso em uma nova dinâmica: o laboratório de informática deu lugar à tecnologia sem muros para a satisfação dos professores inovadores que acreditam e defendem o uso tecnologia na escola de forma transversal.

Contudo, a tecnologia, por si só, não transforma. Foram necessários quase 40 anos para que a discussão sobre o uso das tecnologias na educação tivesse prioridade. Dos anos 70, quando Seymor Papert criou a linguagem de programação LOGO para as crianças, até os dias de hoje, com as redes sociais invadindo a sala de aula, muito se falou, opinou e especulou sobre a transformação dos processos de ensino/aprendizagem. Entre a linguagem criada por Papert e o Facebook de Mark Zuckerberg, uma nova cultura se estabeleceu e sacudiu a educação tradicional. Com as tecnologias digitais, os estudantes passaram a ter a oportunidade de aprender de forma mais autônoma, e outra dinâmica tende a se estabelecer entre o aluno e o professor.

E as notícias não podiam ser melhores. Estudos recentes demonstraram que a tecnologia ajudou a melhorar as notas de alunos da rede pública. Alunos melhoraram sua média de matemática em 8,3 pontos, enquanto os que não usaram a tecnologia avançaram apenas 0,2 ponto.

O outro estudo foi da Unesco, braço das Nações Unidas para a educação, que avaliou o desempenho de alunos de escolas públicas de Hortolândia, em São Paulo, que usaram salas de aula com lousa digital e um computador por aluno. O avanço foi de duas a sete vezes em relação aos colegas em salas de aula comuns. Mas o mesmo estudo apontou que na Alemanha, por exemplo, não houve mudanças significativas. Aí entra um dado, apontado pelas pesquisas – a estratégia. Nas escolas de José de Freitas e Hortolândia, professores e gestores perceberam que não adianta trocar o caderno por notebook ou tablet sem ter estratégias e conteúdo para usá-los.

O Banco Mundial tem divulgado pesquisas que mostram resultados diferentes. Tanto há resultados que mostram um avanço na pesquisa e engajamento dos alunos quanto há resultados mostrando que as notas até pioram depois da chegada dos aparelhos.

No Brasil, muitas vezes os pesquisadores se limitam a contar se há computador na escola, sem avaliar se as máquinas eram usadas para dar algum conteúdo, além dos cursos de processadores de texto e planilhas. Por isso, em muitos países não se discute mais se usa ou não tecnologia, mas, sim, em como usá-la da melhor forma. Cerca de 97% da rede pública americana tem um computador por aluno. Na Alemanha, mais de 30 mil escolas estão equipadas desde 2001. A Inglaterra criou um departamento só para pesquisar e avaliar o uso inovador da tecnologia em sala de aula. Na Coreia do Sul, o governo percebeu que, sem um conteúdo curricular fortemente relacionado à tecnologia, ela teria pouco efeito. Começou a produzir novos materiais didáticos para os computadores.

A grande questão é que levar as tecnologias digitais de forma efetiva para as salas de aula implica necessariamente em uma reestruturação dos currículos escolares. Professores precisam de capacitação. A escola, tradicionalmente, é local para se aprender. Hoje, o que mudou foi a forma de aprender.  O gestor e professor precisam perceber os novos ventos e integrar a tecnologia em todos os âmbitos da escola.

Pesquisas também apontam que 51% dos professores se mostram proativos e optam por usar recursos tecnológicos em sala de aula.

Redimensionado seu papel, a escola deve trazer à tona e discutir o conhecimento adquirido pelos alunos, questionando as mídias pelas quais os estudantes aprenderam. A verdade é que os alunos já estão imersos em um mundo digital e a escola precisa inserir esses conteúdos em seus planejamentos. Os alunos precisam aprender a lidar com os desafios impostos pela internet, como, por exemplo, as questões de direitos autorais, segurança na rede, ou confiabilidade nas fontes. Sem dúvida, há muito o que explorar no ciberespaço.

 

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