Conexçao Ensinar

Blog

Por quanto tempo, ainda, professores e gestores resistirão às novas tecnologias?

A presença das tecnologias digitais nas escolas já é uma realidade. Alunos, professores e gestores carregam seus smartphones, tablets ou notebooks. Mas, a inserção dessas tecnologias no dia a dia nas práticas educacionais é outra história, pois requer o envolvimento deste público em atividades que exigem habilidades e metodologias que estão além das exigidas para o ensino tradicional.

Uma pesquisa sobre “quem mais resiste à presença da tecnologia digital na escola”, quis saber qual público mais rejeitaria usar essas ferramentas tecnológicas. Os professores são os que mais rejeitam por acreditarem que incluí-las na rotina das salas de aula representaria trabalho extra. Mas, na verdade, muitos confessam não saberem utilizá-las. Além disso, as novas tecnologias ainda são vistas como entretenimento. Veja a pesquisa feita pelo Instituto Claro:

 

55% dos professores acreditam que usar novas tenologias na sala de aula aumentaria o trabalho;

24% dos gestores não pensam em colocar as novas tecnologias no planejamento;

15% das famílias acham que é puro entretenimento;

6% dos alunos acham que é mais uma distração.

 

Profissionais da área de tecnologia educacional especializada em design instrucional e em produção multimídia acreditam que, no início, pode haver mais trabalho para o professor, pois é preciso dominar a tecnologia, saber quando e por que usá-la. Mas, com o tempo, quando a nova metodologia estiver estabelecida e houver familiaridade com os recursos digitais, os professores não precisarão preparar materiais para cada aula. Os alunos também trarão pesquisas, conteúdos, e, assim, as dinâmicas serão mais colaborativas.

Porém, sem capacitação e apoio, como os professores poderão fazer um planejamento de aula que inclua os novos recursos? Sem contar que ainda estão no desconfortável papel de tentar lidar com uma ferramenta que os alunos geralmente já dominam ou estão mais próximos de dominar. Isso porque os alunos não têm medo de acessar, manusear, mesmo quando recebem um recurso pela primeira vez. Eles exploram, manuseiam, descobrem recursos com entusiasmo, contudo, não têm foco.

Os gestores, responsáveis pela coordenação e execução do planejamento nas escolas, ainda não contemplam as tecnologias da informação e da comunicação no momento em que pensam o ano escolar. Eles também precisam aprimorar-se para colocar as tecnologias digitais no planejamento anual.

Nem mesmo a família é unânime em relação à aplicação das tecnologias digitais nas atividades pedagógicas. Este público é resistente porque ainda vê a tecnologia apenas como entretenimento e desconhece seu potencial na aprendizagem. E ainda existe um grupo de alunos que não se sente confortável em usar tecnologias digitais, como os estudantes do EJA [Ensino de Jovens e Adultos], com mais de 40 anos, que não fazem questão alguma de trabalhar com o computador. Os desafios deles ainda estão presos ao lápis e ao papel.

Mas, a realidade mostra que o laboratório de informática deu lugar à tecnologia na sala de aula para a satisfação dos professores inovadores que acreditam e defendem o uso tecnologia na escola.

Quase 40 anos separam a discussão sobre o uso das tecnologias na educação nos anos 70, com a programação LOGO para as crianças, das redes sociais com uma uma nova cultura que se estabeleceu e sacudiu a educação tradicional. Com as tecnologias digitais, os estudantes passaram a ter a oportunidade de aprender de forma mais autônoma, e outra dinâmica tende a se estabelecer entre o aluno e o professor.

Segundo estudos recentes,  a tecnologia ajudou a melhorar as notas de alunos da rede pública. A Fundação Carlos Chagas (FCC) avaliou alunos de todas as escolas públicas do município de José de Freitas, no interior do Piauí, que desde o início de 2009 estudam com o apoio de lousas interativas, laptops individuais e softwares educativos. De acordo com o estudo, esses alunos melhoraram sua média de matemática até 8,3 pontos, enquanto os que não usaram a tecnologia avançaram apenas 0,2 ponto.

A Unesco avaliou o desempenho de alunos de escolas públicas de Hortolândia, em São Paulo, que usaram salas de aula com lousa digital e um computador por aluno. O avanço foi de duas a sete vezes em relação aos colegas em salas de aula comuns. Mas, o mesmo estudo apontou que na Alemanha, por exemplo, não houve mudanças significativas.

Aí entra um dado, apontado pelas pesquisas – a estratégia. Nas escolas de José de Freitas e Hortolândia, professores e gestores perceberam que não adianta trocar o caderno por notebook ou tablet sem ter estratégias e conteúdo para usá-los.

Por isso, nos países mais adiantados, não se discute mais se usa ou não tecnologia e , sim, como usá-la da melhor forma. “Cerca de 97% da rede pública americana tem um computador por aluno. Na Alemanha, mais de 30 mil escolas estão equipadas desde 2001. A Inglaterra criou um departamento só para pesquisar e avaliar o uso inovador da tecnologia em sala de aula. Na Coreia do Sul, o governo percebeu que, sem um conteúdo curricular fortemente relacionado à tecnologia, ela teria pouco efeito. Começou a produzir novos materiais didáticos para os computadores.

A grande questão é que levar as tecnologias digitais de forma efetiva para as salas de aula implica necessariamente em uma reestruturação dos currículos escolares. Professores e gestores precisam de capacitação. A escola, tradicionalmente, é local para se aprender. Hoje, o que mudou foi a forma de aprender.  O gestor precisa perceber os novos ventos e integrar a tecnologia em todos os âmbitos da escola.

A escola deve trazer à tona e discutir o conhecimento adquirido pelos alunos, questionando as mídias pelas quais os estudantes aprenderam. A verdade é que os alunos já estão imersos em um mundo digital e a escola precisa inserir esses conteúdos em seus planejamentos. Os alunos precisam aprender a lidar com os desafios impostos pela internet, como, por exemplo, as questões de segurança na rede ou confiabilidade nas fontes.

51% dos professores da rede de ensino no Brasil se mostram muito interessados em usar as novas tecnologias como ferramenta de trabalho. E o Horizon Report, relatório anual desenvolvido por universidades de diversos países, destaca o potencial dos smartphones nos próximos anos – a mobile-learning. Aprender o que quiser em qualquer lugar.

Postar um comentário