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7 Pecados Ortográficos que Comprometem a Credibilidade de um Profissional

A falta de cuidado com a língua portuguesa não é só constatada nas provas nacionais e internacionais prestadas por nossos alunos. Diversos profissionais de diferentes áreas têm comprometido suas carreiras por acharem que a simples troca de uma letra, por exemplo, não tirará o valor de seu trabalho. Um horrível engano, pois somos avaliados quando escrevemos ou falamos em diferentes situações.

Os falantes culpam a complexidade da língua pelos seus erros, reclamando da variação na conjugação dos verbos, das muitas regras e exceções… A verdade é que a regra existe para ajudar. Precisamos compreendê-la e não apenas decorá-la.

Neste artigo, vamos ver dez pecados que comprometem a credibilidade de um profissional (principalmente daquele que não prestou atenção às aulas sobre classes gramaticais).

1º- Uso do “mas” e “mais”

É muito comum as pessoas usarem o “mais” no lugar do “mas”. Quem produz conteúdo para Internet ou precisa escrever textos no seu trabalho deve ficar atento.

“Nós íamos à praia, mais começou a chover.” – erro muito comum.

Isso ocorre, porque quando falamos, não pronunciamos exatamente “mas”. Há uma tendência para o ditongo, uma tendência a colocar um “i” entre o “a” e o “s”.

Mas é uma conjunção adversativa. Ela opõe ideias ou limita uma ação e pode substituir porém, contudo, todavia.

Ex.: Queria fazer um bolo, mas faltam alguns ingredientes.

 

Mais é um advérbio de intensidade na maioria das vezes, indicando quantidades; ou uma conjunção aditiva quando transmite a ideia de adição ou acréscimo.

Ex.: Fala mais alto, por favor.

 

2º- Uso do “há” e “a”

É incrível como uma letra faz uma revolução temporal se não soubermos usá-la.

O “há” é uma forma do verbo haver e está ligado ao tempo passado. Algo que já aconteceu.

Exs.: Cheguei aqui três anos. / dois anos que não visito minha avó.

Dica: na escrita não usamos a palavra atrás para definir o tempo, pois é considerado redundância, já que o tempo está marcado no verbo haver. Não podemos escrever “Cheguei aqui há três anos atrás” (mas, podemos falar)

 

Para indicar algo que ainda vai acontecer, algo que projeta o futuro, usamos “a”.

Ex.: “Estou a dois passos / do paraíso”

Daqui a pouco vou te encontrar.

Estamos a dez minutos do nosso destino.

 

 

3º- Uso dos porquês

Todo mundo quer saber por que tem tantas formas de escrever o porquê. Será por quê? Simples, porque é uma questão de interpretação.

  • Em perguntas, se escreve separado por ter o significado de por qual motivo. Tem o valor de um advérbio interrogativo de causa (alguém quer saber a causa, o motivo).

Ex.: Por que não posso sair agora? Por qual motivo não posso sair agora?

  • Nas respostas, se escreve junto por ser uma conjunção causal (apresenta uma causa ou motivo).

Ex.: José não pode sair, porque tem que estudar.

  • E qual é a razão dos acentos? O quê é acentuado quando encerra a interrogação ou vem antes de uma pausa.

Exs.: Não posso sair por quê? Eu queria saber por quê, mas ninguém me explica.

Dica: O quê é acentuado antes de um sinal de pontuação (? ou .)

  • E o porquê junto com acento? Porque deixa de ser conjunção e assume a função de substantivo. E sendo assim, pode ser flexionado.

Ex.: Eu não entendo o porquê disso tudo. Fiz uma lista dos porquês.

Dica: vem sempre acompanhado de um artigo.

 

4º- Uso de “a fim de” e “afim de”

Nossa língua é muito especial, muito rica, mas é preciso estar a fim de aprendê-la para não ficar afim daqueles que a rejeitam.

  • A expressão a fim de é uma locução prepositiva com ideia de finalidade, propósito e pode ser substituída “com vontade de”

Ex.: Está a fim de sair comigo? Está com vontade de sair comigo?

  • afim é um adjetivo que significa afinidade, semelhança e pode ser substituída pela expressão “a ver com”, “igual” ou “como”.

Ex.: Para ser aprovado, o projeto precisa ser desenvolvido em uma área afim. Para ser aprovado, o projeto precisa ser desenvolvido em uma área que tenha a ver.

Portanto: Nossa língua é muito especial, muito rica, mas é preciso estar com vontade de aprendê-la para não ficar como daqueles que a rejeitam.

 

5º- Uso de “agente” e “a gente”

“Agente” é um substantivo comum que se refere à profissão: agente da polícia federal, agente sanitário, agente secreto.

Ex.: James Bond é o agente secreto mais famoso do cinema.

 

“A gente” é uma locução pronominal equivalente a nós, mas conjugada na 3ª pessoa do singular.

Ex.: A gente visitou o Museu do Amanhã.

 

6º- Uso de “menos” e “menas”

Esse é um dos piores pecados.

“Menos” se opõe a mais. Menor quantidade.

Ex.: Na próxima viagem, Maria vai levar menos roupas na mala.

 

“Menas” não existe na língua portuguesa.

 

7º- Uso de “nada a ver” e “nada a haver”

“Nada a ver” é a forma negativa da expressão “ter a ver”. A expressão equivale a “não ter relação”, a “não dizer respeito”.

Ex.: O meu mau humor não tem nada a ver com você.

 

“Nada a haver” é a forma negativa da expressão ter a haver. Significa não ter nada a receber, nada a reaver, se referindo ao ato de não ter quantias monetárias para serem recebidas.

Ex.: Miguel não tem nada a haver do dinheiro da herança dos avós.

 

Portanto, tenha atenção e cuide de sua língua.

 

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