Conexçao Ensinar

Blog

O Tempo Avança Rápido Enquanto as Novas Tecnologias Mudam o Mundo

 

A avalanche de novas mídias e redes sociais nos mostra uma coisa: estamos procurando outros jeitos de contar as nossas histórias. A digitalização permite registrar, editar, combinar, manipular toda e qualquer informação, por qualquer meio, em qualquer lugar, a qualquer tempo. A digitalização traz a multiplicação de possibilidades de escolha, de interação. A mobilidade e a virtualização nos libertam dos espaços e tempos rígidos, previsíveis, determinados. As tecnologias caminham na direção da convergência, da integração, dos equipamentos multifuncionais que agregam valor.

O telefone celular é a tecnologia que mais agrega valor: é wireless (sem fio) e rapidamente incorporou o acesso à Internet, à foto digital, aos programas de comunicação (voz, TV), ao entretenimento (jogos, música) e outros serviços.

Estas tecnologias começam a afetar profundamente a educação, que sempre esteve e continua presa a lugares e tempos determinados: escola, salas de aula, calendário escolar, grade curricular.

Apesar de a resistência institucional, as pressões pelas mudanças são cada vez mais fortes. As empresas estão muito ativas na educação on-line e buscam, nas universidades, mais agilidade, flexibilização e rapidez na oferta de educação continuada. Os avanços na educação a distância com a LDB e a Internet estão sendo notáveis. A LDB legalizou a educação a distância e a Internet lhe tirou o ar de isolamento, de atraso, de ensino de segunda classe.

A Internet provocou mudanças profundas na educação presencial e a distância. O aprender não está mais restrito a um lugar. Aprendemos em qualquer lugar, on e off line, juntos e separados. Como nos bancos, a escola ainda é nosso ponto de referência; mas não precisamos ir até lá o tempo todo para poder aprender.

Com as redes, a educação a distância continua como uma atividade individual, combinada com a possibilidade de comunicação instantânea, de criar grupos de aprendizagem, integrando a aprendizagem pessoal com a grupal.

A educação presencial está incorporando tecnologias, funções, atividades que eram típicas da educação a distância, enquanto a educação a distância está descobrindo que pode ensinar de forma menos individualista, mantendo um equilíbrio entre a flexibilidade e a interação.

Dentro deste novo contexto, o aluno do século XXI pode viver experiências de aprendizagem muito mais enriquecedoras na escola jamais imaginadas no passado, desde que possa aprender com seus professores a utilizar as informações que recebe diariamente.

É cada vez mais comum lermos artigos em revistas semanais do uso dos gadgets nas salas de aula. Algumas escolas estão deixando a cargo do professor decidir se os alunos podem ou não usar celulares em sala de aula. Outras estão traçando regras permitindo ou não o seu uso.

Há escolas em que o professor informa o tema e os alunos pesquisam o assunto, em grupos, pelo celular ou tablets. Depois, é aberta a discussão para filtrarem as informações e construírem o conhecimento juntos, mediados todo o tempo pelo professor, que corrige as informações, formula hipóteses e propõe determinados tipos de busca ou orientando onde e como buscar as informações pertinentes ao tema.

Este novo quadro nas escolas, certamente, exige, além de um profissional capacitado e competente em sua disciplina, um professor hábil para transformar informações em conhecimento. Os professores  andam assustados com a velocidade com que as novidades surgem. Há 50 anos, a grande inimiga era a calculadora (proibida até hoje em muitos colégios). Só que depois do celular, tudo tem ficado rápido demais.

É uma questão de tempo entrarmos em harmonia com estes aparelhos. Não há como banir as tecnologias portáteis da realidade escolar. É preciso aprender a usar na hora certa e ajudar na formação dos adultos do futuro que terão um número muito maior de dispositivos eletrônicos no seu dia a dia. Eles vão precisar aprender a lidar com essa realidade de forma saudável, sem virarem escravos da tecnologia e sem sofrerem com as distrações de tantos estímulos.

As discussões ainda não terminaram. Uma pesquisa lançada pela UNESCO, em relação ao uso das novas tecnologias, aponta três caminhos. Há escolas que usam as novas tecnologias a partir de um projeto bem estruturado e que têm estimulado os alunos, cujas notas têm sido reflexo da motivação, subindo de duas a setes vezes em relação aos anos anteriores. Há, também, escolas em que os alunos que viram suas notas caírem demasiadamente, após o uso dos celulares. E, ainda, há um terceiro grupo de escolas que não viram mudança significativa em seu aprendizado.

É preciso que a escola saiba para que usar a tecnologia, se ela tem estrutura para isso e se seus professores são capacitados para criar novos jeitos de ensinar. Pois, é como a autora Tânia Zagury ressalta em seu livro:

“Os tempos podem ser outros, mas educação que vem de berço é uma coisa que não sai de moda. Afinal, fazer Control C, Control V durante uma pesquisa é apenas mais rápido do que copiar um trecho de um livro na biblioteca. O professor e a família sempre vão ter o trabalho de mostrar ao aluno e ao filho que o conhecimento tem que ser uma conquista.”

A revolução tecnológica a qual estamos vivendo vem transformando o cotidiano e a maneira de escrever. Os usuários das novas mídias oferecidas pelo computador têm como ferramenta uma linguagem mais simples, acessível a diferentes camadas sociais e que chegou à escola. Assim novos gêneros textuais chegaram como as redes sociais.

É preciso lançar um olhar mais acurado sobre a produção textual em sala de aula, desde seu processo de construção até o objetivo final, ou seja, o que se pretende com o texto produzido e para quem é dirigido. É preciso dar significado àquilo que o aluno aprende na escola. Segundo David Paul Ausubel, psicólogo da educação, autor da teoria da Aprendizagem Significativa, para isso ocorrer…

“…é necessário partir daquilo que o aluno já sabe, e os professores devem criar situações didáticas com a finalidade de descobrir esse conhecimento prévio, que servirá de suporte para os novos conhecimentos que serão construídos.” (MOREIRA, Marco Antônio)

Contudo, o sucesso estará condicionado ao aluno estar motivado a aprender e o material usado em sala ser significativo. O professor tem que estar disposto a pesquisar e saber trabalhar em equipe. A troca de ideias começa com uma equipe bem estruturada de professores e depois se estende aos alunos.

Postar um comentário