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Conectados pela Poesia

A noite cai. Momento de parar o trabalho e relaxar. A fogueira é acesa e pessoas começam a rodeá-la. Uma conversa animada, trocas de olhares e, então… os cantos, os ensinamentos, as histórias vividas pelos guerreiros e pelos antepassados são entoadas por artistas da palavra. Cena de um passado distante.

A música e a poesia já encantavam a humanidade muito antes do advento da escrita. A escrita, que surgiu para aliviar a sobrecarga de informações na mente humana, imortalizou os vedas indianos, as edas escandinavas e as epopeias gregas. O texto poético mais antigo que sobreviveu ao tempo é a Epopeia de Gilgamesh, escrito em tabletes de argila e, depois, em papiros 3.000 anos a.C.

Os primeiros pensadores que tentaram determinar a poesia como uma arte distinta e esteticamente diferenciada foram os chineses, que acabaram produzindo o Shi Jing, onde desenvolveram os cânones da arte poética. É a mais antiga coleção de poemas, escrita em 718 a.C. Depois vieram os gregos, com a Arte Poética, de Aristóteles, em 335 a. C., o inglês Geoffrey Chaucer, com Os Contos de Catenbury, em 1392, na Idade Média, e o japonês Matsuo Basho, em 1684.

O historiador polonês de estética Władysław Tatarkiewicz afirmou que “a poesia é uma arte baseada na linguagem… (e) expressa um certo estado da mente”.

A tecnologia da conversa foi criada em algum momento da história da humanidade para suprir necessidades básicas de sobrevivência. A poesia nos conectou através de experiências e sentimentos comuns.

Hoje, ainda mantemos a chama da fogueira acesa, seja através dos saraus, seja através dos concursos de poesia. E são ótimos momentos, porque desenvolvem uma virtude escassa hoje em dia: saber ouvir. Quem não deseja encontrar alguém que saiba ouvir suas reflexões ou seus sentimentos mais profundos?

A poesia está mais viva do que nunca. Está presente nos livros impressos, assim como na nova fogueira do século XXI – a tela do computador ou do celular. As palavras encontraram novos aliados como o design e a tecnologia, que oferecem novas possibilidades de criação. O ciberespaço define novos espaços e novas estruturas. Novos horizontes para a criatividade humana e uma conexão cada vez mais global.

 

 

Artigo publicado originalmente na coletânea “Olimpoesia”, organizada por Sérgio Gerônimo, pela Oficina Editores, 2016 (www.oficinaeditores.com.br)

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